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Tateando no escuro

A reação dos eleitores é proporcional à ação dos candidatos e de seus partidos para com o estado brasileiro

Há pouco mais de cinco meses das eleições de 2018, um cenário totalmente atípico e adverso vislumbra para a campanha eleitoral. As pesquisas indicam opiniões bastante difusas e um índice muito alto de indecisos e de indispostos a escolher, pelo voto, entre os que se têm apresentado, até agora, como pré-candidatos à presidente do Brasil. E no que tange ao Estado de Goiás, o retrato é quase o mesmo.

“Quanto mais vazia a panela; quanto maior o medo; quanto mais moribundo o doente; quanto maior a sensação de tirania; mais obscuros se tornarão os prognósticos eleitorais nos seis meses adiante”, comenta, José Nelis

Se observarmos, pela pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, amplamente repercutida pela mídia nacional desde o dia 15, domingo, os fatores que inquietam os brasileiros passam pelo espectro corrupção, saúde, segurança e desemprego. Mais de 60% dos entrevistados manifestaram suas preocupações com estes fatores. E quando associados às plataformas dos pressupostos candidatos, suas expectativas se reduzem consideravelmente e não auguram situações que permitem diagnosticar um quadro político possível nos próximos seis meses. Portanto, indícios de uma campanha eleitoral sem prognósticos, indecifráveis até pelos “magos” do marketing político eleitoral.

Definir candidatos de esquerda, de direita, de centro-esquerda ou de centro-direita não ajuda e nem esclarece o eleitor, apenas aumenta as chamas dos debates alimentados pelas especulações midiáticas e pelas vaidades dos oponentes eleitorais e ideológicos partidários – se é que alguma legenda partidária brasileira ainda se apega ao seu ideário político. Esses rótulos ideológicos e partidários no Brasil se transformaram num mix de siglas, agora substituídas, em parte, por palavras simbólicas que buscam iludir o pensamento sobre partidos políticos, e embaralham ainda mais a cabeça do eleitor que se interessa, ainda menos, por ideologia política e partidária.

Ainda assim, este inexplicável cenário político é quem vai estabelecer o rumo do governo nacional em Brasília. Incerto, é verdade! Mas para onde o Planalto caminhar, inexorável será o reflexo dessa tendência nos estados brasileiros.

O sentimento de insatisfação e indignação é nacional. Quanto mais vazia a panela; quanto maior o medo; quanto mais moribundo o doente; quanto maior a sensação de tirania; mais obscuros se tornarão os prognósticos eleitorais nos seis meses adiante. Nesta penumbra, todos os candidatos se tornam iguais. Os bons se misturam aos maus e se tornam inverossímeis ante o descrédito do eleitor. Estamos tateando no escuro.

É preciso uma conversão radical dos postulantes eleitorais em 2018, em todos as esferas e em todos os níveis. Convergir em direção aos anseios da população brasileira com ações que demonstrem verdadeiro espírito público, sem planos e táticas mirabolantes, mágicas ou falaciosas que buscam enganar os desencantados brasileiros.

A reação dos eleitores é proporcional à ação dos candidatos e de seus partidos para com o estado brasileiro.

 

José Nelis Felipe, articulista e editor cristão-evangélico.

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