Home / Ponto de Vista / Suicídio de crianças e adolescentes: é preciso falar sobre isso
"O diálogo ainda é o melhor caminho para conduzir esse tipo de situação, a criança e o adolescente precisam se sentir acolhidos". Foto: Bigstock/Divulgação.

Suicídio de crianças e adolescentes: é preciso falar sobre isso

Renata Miranda

Assim como os adultos, crianças e adolescentes também estão sujeitos aos impactos das doenças da alma. E as consequências mais graves disso podem ser vistas no crescimento dos casos de suicídios nessa faixa etária ao longo dos últimos anos.

No Brasil, de acordo com os dados da Organização Mundial da Saúde, houve um aumento de 40% na taxa de suicídio entre crianças e adolescentes (10 e 14 anos) e de 33,5% na faixa etária de 15 a 19 anos.

Pesquisas revelam que a puberdade e as oscilações emocionais típicas da adolescência, têm começado cada vez mais cedo, num momento em que, muitas vezes, a inexperiência e a falta de maturidade dificultam a resolução de conflitos pessoais.

Sendo assim, o adolescente se vê invadido por forte angústia, confusão e sentimento de que ninguém o entende, que está só, e que é incapaz de decidir corretamente seu futuro. Tudo isso, por sua vez, pode levá-lo a crer que a morte é o único caminho para se livrar da dor. Outros fatores também podem ser apontados como causas de ideação suicida.

As Experiências traumáticas como abandono, perda de um ente querido (luto), abusos físicos ou sexuais, violência psicológica, desorganização familiar, bullying, comparações que afetam a autoestima, desajustamento na escola e a desesperança em relação ao futuro, aspectos psicológicos, transtornos como à depressão, esquizofrenia, traços de personalidade como a impulsividade e o uso de substâncias psicoativas (drogas e álcool), são alguns dos fatores que aparecem como motivadores.

            Os sinais que podem demonstrar riscos de suicídio, podem ser observados por pessoas próximas a criança ou adolescente, pais, professores, profissionais da área da saúde, devem se atentar para comportamentos como apatia, tristeza, mudança de hábitos, crises de choro frequentes, irritabilidade, isolamento social, insônia, quedas no rendimento escolar, falas sobre morte com postagens em redes sociais, automutilação, são alguns dos exemplos claros de que algo não vai bem.

O diálogo ainda é o melhor caminho para conduzir esse tipo de situação,  a criança e o adolescente precisam se sentir acolhidos, expressar disponibilidade de escutá-los sem julgamentos, evitar insultos, culpabilização ou repreensões morais, validar seu sofrimento, buscando compreender as razões que os levaram  a agir de tal maneira, são atitudes fundamentais que ajudam a transmitir esperança de que nem tudo está perdido, e que há outras possibilidades para se livrar da dor.

É imprescindível ainda procurar uma ajuda especializada, profissionais como psicólogos e psiquiatras podem contribuir na melhora do quadro, através da psicoterapia ou da medicação antidepressiva.  Evite deixar a criança ou o adolescente sozinho, envolva toda a família nesse processo, para que juntos em amor possam alcançar resultados positivos.

O suicídio entre crianças e adolescentes não deve ser visto como um tabu ou algo velado. Mesmo sendo um assunto complexo, deve ser discutido, pois eles precisam aprender, desde cedo, a lidar com as questões humanas, as emoções e também frustrações.

Renata Miranda / Psicóloga Clínica CRP 09∕011473 / Esp. Terapia Sistêmica / Palestrante Familiar

Exclusivo para o Portal Voz da Metrópole

Deixe sua opinião

x

Veja também

O mau uso dos celulares na Igreja e a irreverência no ambiente espiritual

A inclusão tecnológica colocou nas mãos dos brasileiros mais de 220 milhões de celulares inteligentes, ...

%d blogueiros gostam disto: