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Foto. Arquivo

Prefeitura de Aparecida entra na campanha de empoderamento das mães da Semana Mundial do Aleitamento Materno

Em agosto comemora-se a Semana Mundial do Aleitamento Materno (SMAM). Para mostrar que a cidade de Aparecida também está conectada nesta agenda, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) começou uma campanha nas redes sociais da Prefeitura para ajudar a explicar às mamães de primeira viagem sobre a importância da amamentação e desmistificar crenças e boatos a respeito do tema. “Todo mundo sabe que gestantes e crianças, principalmente recém-nascidas, são prioridade em Aparecida. Por isso não medimos esforços para garantir a todos os nossos bebês o direito a uma alimentação digna e isso passa pelo direito à amamentação” – pontua o prefeito Gustavo Mendanha.

Com o lema “Empoderar Mães e Pais – Favorecer a Amamentação”, a SMAM acontece entre os dias 01 e 07 de agosto. Com o objetivo de esclarecer todas as dúvidas sobre o tema, serão publicadas nas páginas da Prefeitura no Facebook e no Instagram dicas e informações durante todos esses dias. O leite materno deve ser a única alimentação dos bebês durante os primeiros seis meses de vida das crianças e, até os dois primeiros anos, deve seguir em sua dieta como forma complementar. A chefe de Ciclos de Vida da SMS, Amanda Faria, explica que existem falsos mitos a respeito da amamentação que precisam ser quebrados, como, por exemplo, de que amamentar faz o peito cair ou que o leite é fraco como alimento. “Muitas mulheres crescem escutando esses mitos, mas eles não correspondem à realidade” – lembra.

Alimento completo

A fonoaudióloga Deborah Honostório Duarte, que trabalha na Maternidade Marlene Teixeira, explica a importância do leite materno, um alimento que possui todas as proteínas, vitaminas e sais minerais necessários à formação da criança em sua fase inicial. “Não é necessário tomar qualquer leite artificial ou mingau. Ela não precisa sequer de água. Até o sexto mês, o leite materno deve ser exclusivo porque tem tudo o que o bebê precisa. A gente até brinca que é a primeira vacina do bebê. É um direito da criança. Além disso, leite é caro e se a mãe está cheia deste recurso disponível no próprio corpo, para quê pagar por ele ou mesmo ter que procurar por ele nas farmácias populares?” – completa.

Segurança psicológica

Segundo Deborah, existem estudos científicos que comprovam que a inteligência da criança amamentada é superior à da criança que se alimenta em mamadeira. “Isso já está provado, sem falar a importância do vínculo afetivo criado neste momento. O psicológico dessa criança pode ser afetado com a falta desse vínculo. Além disso, mães que conversam com suas crianças desde a fase bebê geralmente têm maior garantia de que poderão seguir conversando de forma harmoniosa com elas nas próximas fases” – pontua.

Amanda Faria lembra que na maternidade existe uma equipe multidisciplinar formada por psicólogas, fonoaudiólogas, assistentes sociais e nutricionistas que oferece todo o suporte necessário às novas mamães e explica que a unidade possui um grupo de gestantes que realiza palestras com dicas sobre as formas corretas de amamentação e dicas para o maior conforto durante a fase.

Posição correta

“Nós utilizamos o boneco para ensinar que, na verdade, é o bebê que vai ao encontro da mamãe e não contrário. Que ela deve colocar barriga com barriga, apoiar a cabeça do bebê na curva do cotovelo e permitir que ele abocanhe a auréola do peito. As posições podem ser as mais variadas” – afirma Deborah. Ela faz questão de enfatizar que a escolha da posição é da mãe, que pode se colocar deitada ou sentada, da maneira que achar melhor. “Pode colocar o neném de frente, na posição do cavalinho. Mães de gêmeos podem amamentar os dois de forma simultânea. Não existe restrição. Mas posições tradicionais são as mais fáceis de começar, depois são os dois que decidem em conjunto”.

Saúde da mãe

O ato de amamentar ajuda a evitar câncer de mama e câncer de ovário na mãe. Mas é necessário que ela esteja bem fisicamente e emocionalmente para que a produção de leite não seja interrompida. A mãe não estar depressiva e nem sofrer violência ou qualquer tipo de problemas emocionais em casa. Estando alimentada ou não, ela produzirá leite. Mas uma mãe mal alimentada pode sofrer anemia e dessa forma não terá forças para segurar o bebê e garantir que ele seja alimentado na medida certa e nas horas certas.

Rotina

As mães devem pegar seus bebês no colo a cada duas horas. É importante que os intervalos não sejam menores que esse para que eles aprendam a mamar e esse contato reforce seu vínculo com a mãe. “Muitos bebês vão pelo instinto, mas vários nascem e não conseguem realizar a sucção correta por conta da posição errada da língua ou da mandíbula, Aí nós realizamos exercícios como o de sucção não nutritiva, com o dedo, para ensiná-lo a posicionar a língua de forma correta e também a mandíbula. Corrigimos isso já nesta fase inicial das primeiras 48 horas em que eles ficam aqui conosco”.

Amamentar não dói

Muitos bebês acabam ferindo as mães nas primeiras mamadas porque não conseguem realizar posicionar a língua da forma. Por isso, infelizmente, muitas mães acabam desistindo de os alimentarem da forma correta. “Os bebês não têm culpa, eles precisam ser ensinados. Nós estamos aqui para isso. Mamar não dói, desde que o bebê esteja na posição correta e que aprenda já nas primeiras horas de vida o posicionamento certo da mandíbula e da língua. Quando ele começa a sugar, o leite vem, porque toda mãe produz leite”.

Dados da natalidade

Segundo Luciene Morais, diretora da Maternidade Marlene Teixeira, todos os meses são realizados cerca de 200 partos na unidade. Ela explica que a equipe acompanha caso a caso para saber se existe algum tipo de incômodo, como fissura ou rachadura na mama, ou mesmo algum tipo de complicação como perda de peso ou má formação. “Nós realizamos o Teste do Pezinho para saber se a criança tem algum tipo de problema de formação e também o Teste da Linguinha. Se ela estiver com o freio na língua não conseguirá colocá-la na posição correta para mamar.”

A data

Em 1991 foi fundada a Aliança Mundial de Ação Pró-Amamentação (WABA), organização responsável pela criação da Semana Mundial de Aleitamento Materno (SMAM), que visa promover as metas da “Declaração de Innocenti”. Essa organização age em conjunto com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e com a Organização Mundial da Saúde (OMS) na promoção da saúde da criança e do direito ao aleitamento materno. A Semana Mundial da Amamentação faz parte da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC) instituída pelo Ministério da Saúde como parte das medidas que permitam o nascimento e o pleno desenvolvimento na infância, de forma saudável e harmoniosa, bem como a redução das vulnerabilidades e riscos para o adoecimento e outros agravos, a prevenção das doenças crônicas na vida adulta e da morte prematura de crianças.

Mitos e Dicas

Alimento “Remoso”

Não existem alimentos que atrapalhem a produção de leite ou a recuperação das mães no pós-parto. A não ser que ela tenha algum tipo de alergia. Claro que recomendaremos sempre que tenham uma alimentação saudável.

Cólicas

Segundo a fonoaudióloga, bebês não sentem cólica por conta de alimentos específicos ingeridos pelas mães.

Eu estou gripada, posso amamentar?

São pouquíssimos os casos em que o bebê não pode se alimentar do leite da mãe. Isso acontece apenas quando ela tem doenças graves (HIV, HTLV, tuberculose em sua fase ativa e o uso de drogas em até 36h anterior à mamada).

Evite o uso de mamadeira, chuquinha, chupeta

A Maternidade Marlene Teixeira tem o selo de Amigo da Criança, por isso abolimos o uso de mamadeira, chuquinha e chupeta porque esses utensílios acabam confundindo a criança e promovendo um desmame precoce. Ele não faz o movimento correto com a língua. Quando for necessário alimentar essa criança e não for possível que seja pelo peito, damos o alimento em copinho de plástico, mesmo. Apenas no caso de bebês que nascem com restrição à lactose, por exemplo, nós permitimos o uso de mamadeira, chuquinha e chupeta para que ele posa desenvolver a musculatura facial. Ainda assim, apenas até os dois anos de idade para que não haja problema de dentição, fala e de mastigação.

Alimento perfeito e grátis

É importantíssimo receber o aleitamento materno porque ele possui todas as proteínas, vitaminas e sais minerais. Não é necessário tomar qualquer leite artificial nem mingau. Não precisa sequer tomar água. Até o sexto mês o leite é exclusivo, tem tudo o que ele precisa. A gente até brinca que é a primeira vacina do bebê. É um direito da criança. O leite é caro e se a mãe está cheia deste recurso disponível no próprio corpo, para quê pagar por ele ou mesmo ter que procurar por ele nas farmácias populares?

O peito cai?

Amamentar não faz o peito cair. Muitas mulheres crescem escutando esse mito, mas não corresponde à realidade. Na maioria das vezes quando essa queda acontece é por questões que nada têm a ver com a amamentação. Por conta da idade, má alimentação ou de exercícios físicos, o peito tende a cair e ficar mais flácido como outras partes do corpo e isso é normal quando amadurecemos. Mas nunca houve qualquer comprovação científica de que isso ocorre por conta da amamentação.

Bebês mais inteligentes

Existem estudos científicos que comprovam que a inteligência da criança amamentada é superior à da criança que se alimenta em mamadeira. Sem contar a importância do vínculo afetivo criado. O psicológico dessa criança pode ser afetado com a falta desse vínculo. Mães que conversam com suas crianças desde a fase bebê geralmente têm maior garantia de que poderão seguir conversando de forma harmoniosa com as crianças nas próximas fases.

Desenvolvimento da fala

Amamentar trabalha os músculos da face e da língua de forma harmônica para a criança mastigar e falar futuramente. Amamentar é um ato de amor incondicional.

Evitar infecções

O leite materno diminui o risco de infecções, como, por exemplo, intestinais. Ofertar leite em pó pode trazer infecções e a criança pode inclusive contrair sapinho por conta de mamadeiras mal lavadas. Sem contar que até mesmo a inteligência e o emotivo podem ficar abalados pela falta do ambiente de segurança criado no ato de mamar.

Apoio Psicológico

Nem sempre uma mãe que sofre abuso se sente confortável para falar a respeito, mas nossos profissionais estão sempre atentos a isso. Ao menor sinal de que essa mãe sofre algum tipo de violência no seu dia-a-dia, a nossa assistente social entra em contato e oferece a ajuda necessária pra garantir sua segurança e a do bebê. Existem mães que chegam a falar que não querem criar o bebê a saem daqui amamentando e com forte vínculo afetivo.

Pode mostrar o peito?

Costumo brincar com as mães que o peito deixa de ser um órgão com caráter sexual para ser um instrumento para a alimentação do seu filho. E ele está pronto. O neném chorou e deu a hora de mamar, faça a exposição do seu peito com o bebê. Não existe essa questão de estar se expondo, de isso ser mal interpretado. É uma alimentação. Um ato de amor. Não precisa ter vergonha. É uma covardia coibir isso, tentar tirar esse direito de uma mãe. Na verdade é crime. Com o bebê se passa a mesma coisa que com os adultos. Ninguém que está com fome precisa comer escondido.

Como os pais podem ajudar?

O acompanhamento dos pais deixa as mães mais seguras. Eles devem ajudar na pega quando a mãe tem alguma dificuldade física no momento. E devem criar todas as condições para assegurar que a mamada tenha tempo livre, o tempo correto.

Crie horários

Quando o bebê está preguiçoso é preciso colocar horários para que ele entenda que é preciso comer, já que na barriga ele não tinha esforço algum para se alimentar. Tem bebê que dorme o tempo todo e a mãe pensa que se está dormindo é porque está bem alimentado e não é bem assim. Nos primeiros meses de vida o bebê precisa ser acordado para a mamada.

Bebês sem camisa

O bebê pode ficar sem roupa na hora de mamar se for o caso. Ele gasta bastante energia no ato e chega até a suar com o esforço que faz.

Saúde da mãe

Amamentar ajuda a prevenir o câncer de mama e o câncer de ovário. Além disso, mães que amamentam também estão gastando energia e isso ajuda inclusive a voltar à forma física anterior ao período de gestação.

Fonte: Frederico Noleto / Foto. Arquivo

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