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Imagem. Reprodução/BLOG CAFÉ & TEOLOGIA

5 Solas, fundamental para qualquer igreja evangélica atual

Os cinco pilares da Reforma Protestante

Em 31 de Outubro de 1517, o monge agostiniano Martinho Lutero, fixava na porta da igreja de Wittenberg (ou igreja do castelo) suas 95 testes contra algumas doutrinas da igreja. Este é o principal marco da Reforma, portanto o dia em que a celebramos. Certamente Lutero não é o único reformador, nem o último, mas certamente é o principal expoente.

A igreja da idade média estava profundamente corrompida e afastada dos primórdios do cristianismo. Uma igreja que nasceu no primeiro século da era cristã sob dura perseguição, sem influência política ou riquezas, na idade media era rica, extremamente influente e perseguindo seus adversários. Entre as principais acusações contra a doutrina da atual igreja era a doutrina do purgatório (estágio intermediário entre inferno e céu para pagar pecados), venda de indulgências (venda de perdão de pecados) e a simonia (venda de cargos eclesiásticos ou objetos sagrados).

A Reforma Protestante não foi um desvio da igreja ou um simples movimento separatista, na verdade os primeiros reformadores nunca quiseram uma divisão; pelo contrário eles queria realmente reformar a igreja, corrigindo os erros com base no ensino da Bíblia. O surgimento das igrejas protestantes e consequentemente avanço do protestantismo no mundo foi um desdobramento de tudo isto, mas não foi idealizado pelos primeiros reformadores.

O movimento teve 5 pilares (mas não apenas), que são fundamentais para qualquer igreja evangélica atual. Independente da ênfase teológica e denominacional os pilares da reforma fundamentais. Estes pontos são tão importantes, que ouso dizer, que se uma igreja discorda de qualquer um destes pilares ela não é mais uma igreja evangélica. Os pilares ou “solas” como são mais comumente conhecidas são:

1.  (Glória Somente a Deus)

Este princípio afirma que o homem foi criado para a glória de Deus. Fomos criados para isto e destinados à glória de Deus. O plano de eterno de salvação dos homens já contemplava a glória de Deus (Ef 1.4-6). Na salvação do homem toda glória é dada a Deus, não dividido com homem alguns. Em toda nossa vida neste mundo, nenhum ser humano é digno de glória, apenas Deus. A vida do cristão é vivida diante de Deus, sob sua autoridade e para a lória de Deus. “A ele seja a glória eternamente! Amém”. Rm 11.36.

2. Sola Fide (Somente a Fé)

A salvação é um presente que Deus, que se concretiza através da fé em Deus, nunca por obra ou contribuição humana. Lutero compreendeu que não eram as penitências, sacrifícios ou compra de indulgências que podiam livrar o homem da condenação eterna, mas a graça de Deus, através da fé (Ef 2.8). O lema da Reforma é “O justo viverá da fé” (Rm 1:17), Martinho Lutero percebeu que a justiça de Deus neste versículo é a justiça que o homem piedoso recebe de Deus, pela fé, e não uma conquista humana.

3. Sola Gratia (Somente a Graça)

Davi em um dos salmos diz: “Porque a tua graça é melhor que a vida; os meus lábios te louvam” (Sl 63.3). Veja que a graça de Deus é a única forma de cruzar o abismo entre nós pecadores e Deus. Ninguém pode ser salvo por mérito próprio, por obras, penitências, sacrifícios ou compra de indulgências. Somente pela fé o ser humano pode ser salvo. E até mesmo a fé, que habilita o ser humano a receber o dom da graça, é dado por Deus (Ef 2.8). Nenhuma obra, por mais justa e santa que possa parecer, poderá dar ao homem livre acesso a salvação e ao reino dos céus. Isso somente ocorrerá pela graça de Deus. “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se gloria” (Ef 2.8 e 9).

4. Solus Christus (Somente Cristo)

A Declaração de Cambridge diz: Reafirmamos que nossa salvação é realizada unicamente pela obra mediatória do Cristo histórico. Sua vida sem pecado e sua expiação por si só são suficientes para nossa justificação e reconciliação com o Pai. O homem nada poderá fazer para sua salvação, pois Jesus Cristo realizou a obra da redenção ao ser sacrificado na cruz do calvário, vertendo o seu sangue como sacrifício por nossos pecados. “E não há salvação em nenhum outro: porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dentre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” At 4.12.

5. Sola Scriptura (Somente as Escrituras)

Deixei por último, mas este é para mim o principal dos pilares da Reforma e também a base para os demais. As Escrituras Sagradas são a única regra de fé e de prática. Veja o que Paulo diz em 2 Tm 3.16-17: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra“. Entendemos que as tradições da igreja, as bulas, as decisões dos concílios e os escritos dos pais da igreja não possuem autoridade divina e não podem servir como regra de fé e prática para os crentes. Somente as Escrituras Sagradas estão habilitadas para isso. Elas foram escritas por homens inspirados por Deus, que foram instrumento de revelação da vontade de Deus. Quando lemos a bíblia somos iluminados pelo Espírito Santo para entendê-la. Como disse Hernandes dias Lopes “Não são as experiências que julgam a bíblia, mas a Bíblia que julga as experiências. A igreja não está acima da Palavra, mas é governada por ela”. Para Martinho Lutero: “Então, achei-me recém-nascido e no paraíso, toda as Escrituras tinham para mim outro aspecto, perscrutava-as para ver tudo quanto ensinam sobre a justiça de Deus”.

Estes sãos os pilares da reforma ou 5 Solas como é mais conhecido nos meios acadêmicos. O princípio de tudo e que a Palavra de Deus, a Bíblia é nosso único manual e que a bíblia é a única palavra de Deus revelada e inspirada. A igreja que mantém estes valores (e não apenas) certamente goza de grande saúde espiritual, sendo Deus adorado como é da Sua vontade. Àqueles que ainda não se conscientizaram disto chamo a atenção para que retome a estes princípios, que no fim das contas não são princípios da Reforma Protestante, mas da doutrina do novo testamento.

 

 

Fonte. Ricardo Nascimento

Mestre em Ciência da Religião

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