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Notebooks e celulares. (Foto: Marvin Meyer / Unsplash)

Muita informação, pouco conhecimento

O maior obstáculo para essa geração, é ultrapassar as distrações das opiniões

Informação ou conhecimento? Doxa ou episteme? Será que há uma diferença entre conhecimento e informação? Se existe uma diferença, qual seria o seu efeito prático?

Segundo Platão, a episteme (conhecimento) tem um estatuto privilegiado em relação à doxa (opinião ou informação). A doxa seria a crença que se move acompanhando as coisas que se modificam constantemente e que acabam não formando um conceito que sobreviva às mudanças. Já a episteme, seria um entendimento que se coloca acima de qualquer opinião circunstancial, momentânea e descartável.

Com o advento da internet, nunca existiu na história da humanidade, como nos dias atuais, um tempo em que o homem tivesse tanto acesso à informação. Será que com tudo isso, o homem se tornou mais capaz do que os seus antepassados? Acredito que não. Como diz, o filósofo e teólogo Mário S. Cortella, “Muitas pessoas navegam na internet, mas a maioria delas naufraga”. Isso se dá pelo fato de que qualquer informação à deriva não produz conhecimento.

No século XVI, Francis Bacon, conhecido como o pai da ciência moderna, dizia que “conhecimento é poder, pois o conhecimento produz transformação e mudança”. As transformações que o conhecimento promove dá às pessoas a condição de viver o que nunca viveram.

A palavra conhecimento no latim tem um significado muito especial, cognotio ou cognoscere, refere-se também a nascimento. O conhecimento produz o nascimento de uma nova realidade. Por isso, uma geração sem conhecimento é uma geração sem poder de transformação e de inovação.

Essa questão reflete também no relacionamento das pessoas com Deus. Na pós-modernidade existe uma abertura para se trocar opiniões sobre o que as pessoas pensam sobre Deus, mas poucos desfrutam do conhecimento Dele. Então, o maior obstáculo para essa geração, é ultrapassar as distrações das opiniões.

esus Cristo disse aos seus discípulos “E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará” (Jo 8.32). O poder da verdade está no conhecimento dela. Saber sobre a verdade não liberta. A informação sobre Deus não transforma, mas destrói, pois gera expectativa sem esperança. Jesus Cristo demonstra isso na última ceia com os seus discípulos. Ao explicar para os discípulos o que significava a sua entrega sacrificial na cruz, Ele não apenas mostra o pão e o vinho, como Ele distribui, come e bebe com eles. Em outras palavras, conhecer a verdade significa experimentá-la, prová-la, degustá-la e digeri-la.

A revelação de Deus se dá de duas formas, por aquilo que Ele quis revelar e por aquilo que Ele quis omitir. Até mesmo os mistérios de Deus são uma revelação, porque Ele não escondeu de nós, mas para nós. Tem a ver com o exercício da busca constante por Ele. Deus deseja se revelar e o homem desejar conhecer.

Em 7 de janeiro de 1855, com 20 anos, Charles H. Spurgeon, ministro da capela da rua New Park disse em seu sermão matinal: “Nada é melhor para o desenvolvimento da mente que contemplar a divindade. Trata-se de um assunto tão vasto, que todos os nossos pensamentos se perdem em sua imensidão; tão profundo que nosso orgulho desaparece em sua infinitude”. A busca por conhecer mais de Deus gera em nós humilhação e expansão. Somos humilhados por sua grandeza e somos expandidos por Sua Glória refletida em nós.

O conhecimento de Deus transforma a alma e expande a mente humana. O apóstolo Paulo, nos revela isso em sua carta aos Romanos “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.

Exatamente isso! Os pensamentos desconectados de Deus padronizam, amoldam e limitam. Enquanto o conhecimento de Deus expande, transforma e renova. Paulo utiliza o termo “metamorfose” para se referir à transformação que a mente do homem passa quando esta se conecta a Deus. Esse termo é utilizado na biologia também para relatar a transformação da lagarta em borboleta.

Por meio de uma simples analogia entre o homem e a lagarta, podemos perceber o impacto que o conhecimento de Deus gera na humanidade. Antes de conhecer a Deus o homem é como uma lagarta, vive rastejando.

Quando o homem experimenta o poder do conhecimento de Deus, ele recebe asas, beleza e altitude como uma borboleta. É impossível conhecer qualquer coisa de Deus sem ser transformado por essa realidade. A cada revelação que recebemos de Deus, Ele nos convida para uma experiência, pois o conhecimento Dele é a soma da descoberta com a vivência.

Por. Andrei Alves é pastor de discipulado da Igreja da Cidade em São José dos Campos e diretor executivo do Instituto Propósitos de Ensino

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