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“Esse governo perdeu a capacidade de dar as respostas necessárias para o momento que vivemos” Confira entrevista completa com Daniel Vilela

Em entrevista exclusiva ao Portal Voz da Metrópole o deputado federal, Daniel Vilela (MDB) revela no que este atual governo tem errado, segundo sua opinião. Ele explica se de fato a alternância de poder é uma das soluções para Goiás saltar, e aconselha o leitor em relação a este ano eleitoral  

Sabemos que o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) é oposição ao atual governo estadual, ter um candidato próprio para concorrer às eleições estaduais é unânime no partido?

A candidatura própria é o desejo da maioria absoluta do partido, sem dúvida. Isto foi colocado de forma muito clara e democrática nos 17 encontros regionais que fizemos no ano passado, no encontro estadual com mais de 1,5 mil lideranças e militantes em dezembro e em diversas outras ocasiões. Mas num partido do tamanho do MDB é praticamente impossível haver unanimidade e é natural que surjam algumas vozes divergentes. Em todos os partidos grandes é assim, como podemos constatar, por exemplo, nas discussões sobre os candidatos a presidente nas grandes siglas. Temos a humildade e a tranquilidade de ouvir todos os lados, mas nossa obrigação é seguir a maioria.

Em sua opinião, Goiás está precisando de uma alternância de poder?

Alternância de poder é sempre saudável, mas aqui em Goiás ela se faz urgente. Observamos que este governo está praticamente paralisado há alguns anos, sem mostrar avanços. É um governo cansado, que não soube se reinventar. Veja que as promessas da campanha de 2014 foram basicamente as mesmas que eles prometeram em 2010 e não cumpriram. E o pior é que a maioria dessas propostas continuam sem sair do papel e as poucas que saíram não funcionam a contento. Olhe o exemplo da Barragem do João Leite, tantas vezes prometida, inaugurada, festejada, mas que até hoje não cumpre sua função. Eu poderia citar aqui dezenas de outros exemplos. A verdade é que esse governo perdeu a capacidade de dar as respostas necessárias para o momento que vivemos.

“Na educação houve muito a discussão de se colocar OSs para gerir algumas escolas, projeto que ao que tudo indica, naufragou”, opina.

Alianças com partidos da base do PSDB é possível?

Não só é possível como temos trabalhado para buscar partidos da base que tenham interesse em construir um novo projeto político para Goiás, longe do PSDB. As conversas estão bem adiantadas com alguns deles, como o PP. Muitos partidos e lideranças da base enxergam esse esgotamento do governo que citei anteriormente e já falam da necessidade de uma renovação política para o Estado avançar. Só não temos mantido conversas com o PSDB, pois defendemos um modelo político e de governo muito diferente do que eles praticam aqui em Goiás.

Há vislumbres de parceria com o Solidariedade?

O MDB tem histórico de parceria com o Solidariedade e eu particularmente tenho uma relação muito próxima com o deputado Lucas Vergílio. Temos mantido diálogo com eles e acreditamos que podemos caminhar juntos nestas eleições.

Podemos considerar que Daniel Vilela está em pré-campanha?

Podemos dizer que o MDB está em pré-campanha. Eu, como presidente do partido e como pré-candidato escolhido pelas lideranças e pela base partidária, tenho feito este trabalho de fortalecimento interno e buscado agregar forças para nossas chapas majoritária e proporcional. A campanha este ano será curta e quem quiser ter competitividade tem que chegar no período eleitoral com a máquina eleitoral a pleno vapor.

O senhor pode adiantar o as principais propostas do novo projeto que farão parte do seu Plano de Governo na campanha?

Não posso dar detalhes, senão o pessoal corre para copiar ou apresentar uma contraproposta. Quem tem que cumprir projetos de governo é a atual gestão, que ainda não acabou e está devendo muito para Goiás. Nós como oposição fiscalizamos. Mas posso dizer que vamos buscar apresentar uma concepção de governo mais moderna, que represente um Estado mais eficiente nos serviços prestados à população e menos pesado estruturalmente.

Para isto é necessário investir de forma maciça em tecnologia e inovação, o que não tem ocorrido nos últimos anos. Vou dar um exemplo: como colocar de forma mais rápida mais policiais nas ruas com um custo menor? Podemos fazer isto investindo mais em tecnologias avançadas de monitoramento dos prédios públicos e aproveitar as centenas de policiais que fazem essa vigilância patrimonial colocando-os no combate efetivo à criminalidade.

Com apoio a tecnologia e uma central de monitoramento bem equipada, um homem pode fazer o serviço de vários. O Estado também se afastou das famílias mais necessitadas e vamos propor o resgate da relevância dos programas sociais, como forma de gerar oportunidades para as pessoas mais carentes garantirem seu sustento com dignidade.

Saúde, segurança pública e educação; no que o atual governo tem errado?

Acredito que a disputa aí é para saber em qual dessas áreas o governo tem errado mais. Na saúde, o governo aparentemente conseguiu estancar algumas fragilidades da gestão com a utilização de OSs em unidades hospitalares. Mas em essas OSs também são alvo de grande reclamação pela baixa qualidade do serviço em algumas unidades. É também quase consenso que falta transparência e um maior controle no serviço prestado por essas instituições, o que é um erro grave do governo e pode estar camuflando distorções. Falta também mais investimentos na saúde no interior.

Hoje os municípios têm que recorrer à chamada “ambulancioterapia” para tratar seus doentes, despachando eles para a capital. Na educação houve muito a discussão de se colocar OSs para gerir algumas escolas, projeto que ao que tudo indica, naufragou. Percorrendo os municípios, temos vistos muitas escolas sem estrutura e reclamação dos professores pela falta de valorização. A qualidade do ensino ainda deixa a desejar e o governo tenta remediar isto com a criação de mais colégios militares. Só que este não é o caminho para qualificar todo o sistema e não podemos aceitar como algo normal ter algumas ilhas de ensino de qualidade cercadas por um oceano de escolas precárias. Na segurança temos enfrentando os piores problemas. Temos índices de homicídios superiores ao Rio de Janeiro.

Aqui, segundo o Mapa da Violência, temos uma média de 49,3 homicídios por 100 mil habitantes. No Rio este índice é de 30,6 por 100 mil habitantes. O efetivo policial hoje é igual ou menor que 20 anos atrás, com uma população absurdamente maior. Nossos presídios não reeducam e sequer isolam o detento da sociedade. Lá dentro as facções têm total acesso ao mundo exterior e continuam a comandar o crime, usando celular com uma naturalidade assustadora. Faltam vagas e a superlotação gera descontrole, que resulta em fugas e rebeliões. Mesmo assim o governo perdeu nos últimos anos dezenas de milhões de reais do Fundo Penitenciário por falta de projetos. Ou seja, há um problema de gestão, de planejamento e até de vontade política na área da segurança.

Deixe aos leitores do Portal Voz da Metrópole suas considerações finais?

Peço que o leitor participe ativamente do processo eleitoral que está chegando, procurando conhecer a fundo os projetos e os candidatos, sejam eles a cargos no Executivo ou no Legislativo. É uma forma de ter um voto mais qualificado e também de evitar cair nas fake news, que já circulam em abundância na internet para denegrir a imagem de alguns e construir uma falsa reputação de outros. Busquem fontes qualificadas de informação na imprensa e utilizem os canais diretos dos candidatos nas redes sociais quando tiverem dúvida. A melhor forma de construir uma opinião sobre um projeto ou um candidato é tendo informações verdadeiras sobre eles.

 

Fonte. Ana Paula Arantes

 

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