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Comitê mapeia dados e cria soluções para a diminuição da mortalidade no trânsito em Aparecida


A fim de criar políticas públicas que proporcionem a diminuição do número de óbitos em decorrência de acidentes de transporte terrestre (ATT) no município, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) acaba de implantar o Comitê Intersetorial de Gestão de Dados de Morbimortalidade por Acidentes de Trânsito de Aparecida. A iniciativa é regulamentada pela Política Nacional de Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violências e prevê a criação de ações de vigilância de óbitos e acidentes, a identificação dos fatores de risco e dos principais pontos críticos de ocorrência dos acidentes na cidade, bem como a implantação de ações prioritárias para redução de acidentalidade.

“Eu sou a favor da vida. Por isso, toda e qualquer ação que seja no sentido de preservar a vida, e neste caso estamos falando tanto da vida dos pedestres quanto de condutores e passageiros e, principalmente, dos diversos motociclistas que se acidentam diariamente nas vias públicas das grandes cidades; todo tipo de ação deve ser realizada. É o destino e a felicidade de muita gente que está em jogo e o poder público tem que fazer tudo o que estiver ao seu alcance para evitar tragédias. Estamos catalogando e analisando todos os dados para, juntos, realizarmos as intervenções necessárias para a preservação máxima da vida” – pontua o prefeito Gustavo Mendanha.

Daiane Caparroz, técnica responsável pelo comitê, explica que a primeira reunião, ocorrida na última quarta-feira (19), contou com a presença de representantes da Secretaria de Infraestrutura (Seinfra), da Superintendência Municipal de Trânsito de Aparecida (SMTA), do Corpo de Bombeiros, da Vigilância Epidemiológica e de todas as Unidades de Pronto Atendimento (UPA) do município. “Nosso monitoramento não se restringe apenas aos acidentes fatais, mas também aos demais acidentes graves atendidos por nossas equipes. O projeto piloto de Vigilância dos Acidentes foi implantado na UPA Flamboyant e agora está sendo estendido a todas as unidades de pronto atendimento do município” – explica.

Números que impressionam

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) indicam que até 2030 os acidentes de trânsito serão a 5ª causa de mortalidade no mundo. Hoje os acidentes terrestres são responsáveis por 1.350.000 óbitos por ano em todo o planeta. Entre 20 e 50 milhões de pessoas sofrem algum tipo de lesão em decorrência desses acidentes todos os anos. Segundo o DataSUS, no ano de 2017 ocorreram 103 mortes resultantes de acidentes de transportes terrestres (ATT) em Aparecida. De todos os óbitos ocorridos por conta deste tipo de acidente no município registrados entre 2010 e 2018, 35,57% ocorreram com motociclistas, 19,43% com pedestres e 14,43% por passageiros de automóveis. 41,5% de todas as mortes ocorridas neste mesmo período no município aconteceram no próprio local do acidente.

Ainda segundo o DataSUS, 21% de todas as mortes registradas em Aparecida entre os anos de 2010 e 2017 aconteceram em decorrência de causas externas. Ou seja, por motivos de não doença. Dessas mortes, quase 25% são provocadas por acidentes de transporte terrestre. Apenas em 2019 já foram registradas 21 mortes por ATT no município. “Muito já foi realizado no país nos últimos anos e em Aparecida também. Mas é preciso incrementar ainda mais essas políticas públicas com ações tanto de engenharia de trânsito quando de educação para que consigamos diminuir esses números. Por isso já convidamos representantes da Secretaria Municipal de Educação (SME) para participar das próximas reuniões” – completa Caparroz.

Projeto Piloto

A iniciativa que deu início à criação do comitê gestor foi resultado de um projeto piloto de Vigilância em Acidentes de Trânsito implantado na UPA Flamboyant, que teve como ponto de apoio as informações colhidas por meio de uma Ficha de Registro de Vítimas de Acidentes de Trânsito. O formulário contém dados como o bairro e o endereço completo do local do acidente; o tipo de veículo envolvido; de que forma ele foi conduzido para a unidade de saúde, se por meio próprio ou por equipe do SAMU, Bombeiros ou outro; além da idade, sexo e data do acidente. A técnica responsável  explica que essas informações compõem um banco de dados que agora é utilizado para a formulação de políticas públicas voltadas para a prevenção de acidentes e de óbitos por acidentes no município.

Ela conta que, segundo os dados colhidos entre setembro de 2018 e maio de 2019, foram registrados 126 atendimentos decorrentes de vítimas de ATT na Upa Flamboyant. 57 desses atendimentos (45,23%) foram de vítimas com idade entre 20 e 29 anos de idade, 29 (23%) de vítimas com idade entre 30 a 39 anos e 19 deles (15%) de 15 e 19 anos. Conta ainda que 65% de todas essas vítimas eram do sexo masculino e 35% do feminino. “Em 80% dos atendimentos registrados, foram os próprios condutores que se vitimaram. 19% das vítimas atendidas na UPA Flamboyant neste período são de moradores do Setor Santa Luzia”.

Dados de 2019

Durante o ano de 2019 já ocorreram 21 mortes em decorrência de acidentes de trânsito na cidade de Aparecida. A maioria dessas mortes (28,5%) ocorreu em vítimas com faixa etária entre 20 e 29 anos de idade. 23,8% delas se deu com vítimas com idade entre 40 e 49 anos, 23,8% com pessoas entre 60 e 89 e 19,4% de 30 a 39 anos de idade. 57,1% desses óbitos ocorreram com os próprios motoristas e 14,2 deles vitimaram pedestres. 42,8% de todas as mortes foram de motociclistas. Daiane Caparroz lembra que a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu esta década como sendo a Década de Ações pela Segurança no Trânsito 2011 – 2020, criando o Plano de Ação Global para a Década e a Agenda para Desenvolvimento Sustentável. Um dos objetivos globais desta agenda institui como meta reduzir pela metade as mortes e os ferimentos globais por acidentes em estradas e nas vias até o ano de 2020” – lembra.

Fonte. Frederico Noleto/Foto. Arquivo

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